SP–Arte 2025: São Paulo recebe uma das maiores feiras de arte da América Latina

Até o dia 6 de abril, o Pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera é o epicentro da arte latino-americana com a 21ª edição da SP–Arte.

SP–Arte 2025: São Paulo recebe uma das maiores feiras de arte da América Latina

Desde quarta-feira, dia 2, São Paulo é palco da SP–Arte, um dos eventos mais significativos do cenário cultural brasileiro. Realizada no emblemático Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, a feira chega à sua 21ª edição consolidada como um centro vital das artes visuais e do design na América Latina, reunindo mais de 200 expositores nacionais e internacionais. Este ano, o evento apresenta novidades estruturais, como o Palco SP–Arte, um espaço dedicado a debates sobre o mercado de arte e colecionismo.

A SP–Arte é a principal feira de arte da América Latina, realizada anualmente por cinco dias no Pavilhão da Bienal, em São Paulo. Assim como feiras renomadas como Art Basel e Frieze, a SP–Arte serve como um ponto de encontro para a comunidade artística, promovendo negócios e fortalecendo a circulação das artes visuais. Ela também fomenta intercâmbios artísticos entre o Brasil e o mercado internacional, inserindo o país no circuito global. Além disso, a SP–Arte oferece programas educativos, como conversas com artistas e audioguias, e movimenta a cidade com atividades como aberturas de exposições e visitas a ateliês.

Narrativas em destaque

A diversidade de obras, estilos e linguagens é uma marca registrada da SP–Arte, e nesta edição, artistas negros têm se destacado por suas abordagens originais e narrativas potentes. Antonio Obá provoca reflexões profundas sobre a identidade afro-brasileira, religiosidade e questões raciais, utilizando pinturas e instalações carregadas de simbolismo. Já Arjan Martins explora temas da diáspora africana e os impactos do colonialismo, valendo-se de mapas, símbolos náuticos e retratos históricos para narrar histórias complexas de deslocamento e identidade negra.

A potência da presença feminina

Entre os talentos femininos, Rosana Paulino se destaca por sua pesquisa minuciosa sobre gênero, raça e sociedade, apresentando obras que confrontam diretamente os desafios enfrentados por mulheres negras no Brasil. Sua linguagem transita entre desenho, instalação e fotografia, sempre com uma abordagem crítica e sensível. As esculturas expressivas de Sonia Gomes também chamam a atenção; ela transforma tecidos e objetos cotidianos em estruturas orgânicas carregadas de memória e ancestralidade, estabelecendo um diálogo emocional com os visitantes.

A arte intimista de Larissa de Souza

Uma presença notável nesta edição é a de Larissa de Souza, artista autodidata nascida em 1995, em São Paulo. Sua obra é centrada na figura da mulher afro-brasileira, explorando temas como memória, corpo, desejo e ancestralidade. Larissa utiliza técnicas mistas que incluem colagens com objetos, tecidos, bordados e molduras em resina, criando composições ricas em textura e significado. Suas pinturas frequentemente retratam cenas íntimas e domésticas, convidando o espectador a adentrar esses espaços através de janelas e portas abertas, evocando uma sensação de familiaridade e acolhimento. Ao subverter estereótipos históricos, Larissa apresenta pessoas negras em contextos de afeto e harmonia, oferecendo uma nova perspectiva sobre a representação da negritude na arte contemporânea. Seu trabalho já integrou importantes coleções, como as do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e do Museu de Arte do Rio (MAR).

Performance e provocações contemporâneas

Reconhecido por sua relevância internacional, Paulo Nazareth continua a ser uma figura emblemática da arte contemporânea brasileira, transitando entre performance, fotografia e instalação para discutir temas como migração, identidade e globalização. Suas obras nesta edição confrontam diretamente questões políticas e sociais atuais, ampliando o debate para além dos limites físicos da feira.

Tiago Sant’Ana também marca presença com suas obras na SP-Arte, como um dos artistas mais instigantes da nova geração das artes visuais brasileiras. Artista visual, curador e doutor em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia, com trabalhos que transitam entre fotografia, vídeo e performance, ele investiga temas ligados à memória histórica, diáspora africana e as representações contemporâneas da negritude no Brasil. Um ponto marcante em suas obras é o uso simbólico do açúcar, elemento que remete diretamente ao passado colonial e à exploração dos corpos negros nas plantações de cana. Algumas de suas obras mais conhecidas, como Cana-coluna e Porto seguro (âncora de açúcar), refletem criticamente sobre a herança escravocrata e suas implicações sociais hoje. Na SP–Arte 2025, Tiago Sant’Ana apresenta trabalhos que reforçam sua relevância e sensibilidade na abordagem desses temas, contribuindo significativamente para debates atuais sobre identidade, memória e resistência.

Uma experiência guiada pela Casablack

Reforçando seu papel como importante veículo de difusão cultural, a Casablack promove neste sábado, dia 5 de abril, uma visita guiada exclusiva durante a SP–Arte, reunindo convidados para uma imersão nas obras e trajetórias dos artistas em destaque. A iniciativa não apenas aproxima os participantes das narrativas artísticas mais relevantes da atualidade, como também ressalta a importância desses artistas na cena cultural brasileira contemporânea.



A SP–Arte 2025 permanece aberta ao público até domingo, 6 de abril, oferecendo uma oportunidade única para vivenciar as tendências e debates fundamentais do cenário artístico global.